Semana Mundial da Água: 22 a 26 de março

Postado por Grupo Ambiental de Santa Bárbara 27 de março de 2010 Comente!

Água é elemento essencial para o desenvolvimento e sustentação da vida. Desde os primeiros povoamentos até a nossa atual civilização, estamos intimamente relacionados com ela. Observe o local de surgimento das principais cidades e verificará que estão localizadas em locais com abundância de água, normalmente próximas a grandes rios, lagos ou mares.

A água também é um elemento estratégico para a sociedade e vital para a manutenção da vida, produção de alimentos, abastecimento e saneamento básico. No Brasil, é uma importante matriz energética. Em muitas regiões, é a principal via de transporte.

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Quando a última árvore tiver caído, quando o último rio tiver secado, quando o último peixe for pescado...

Charge Cuidar da água[2] 

... a humanidade vai entender que dinheiro não se come.

Considerando a importância da água em nossa sociedade, é que a Organização das Nações Unidas (ONU) criou, em 22 de março de 1992, o “Dia Mundial da Água”. Como consequência, todo o mundo aproveita a semana de 22 a 26 de março para debater os principais problemas que envolvem os recursos hídricos e sugerir possíveis soluções.

Como não podíamos ficar de fora, preparamos uma pequena reflexão sobre o uso consciente da água em nosso município e os principais problemas enfrentados. Para finalizar, iremos apresentar uma solução inovadora, idealizada pela cervejaria AmBev, e uma série de links interessantes sobre a água: este bem tão precioso.


O Brasil é um país privilegiado em termos de recursos hídricos. Concentramos aproximadamente 12% da água doce disponível em nosso planeta. O município de Santa Bárbara é igualmente beneficiado. Das cabeceiras da Serra da Gandarela nascem os afluentes do Rio Conceição. é este que no distrito de Barra Feliz se junta ao Rio São João para formar o Rio Santa Bárbara.

A água para o abastecimento público é captada no Rio Conceição, em um ponto classificado como 1, por se tratar de água com pouca necessidade de tratamento. Apesar de toda fartura e qualidade hídrica, a cidade enfrenta atualmente um grande problema: a captação de água para uso industrial.

Nos últimos meses, muito se tem discutido sobre a captação de água no Rio Conceição pela empresa Samarco. De acordo com o projeto, a empresa pretende retirar 569 L/s (litros por segundo). Este valor representa, aproximadamente, 82% do potencial hídrico disponível no ponto de captação. Empresas da região (Vale, Anglo Gold, White Martins e outras) somadas à retirada efetuada pela Copasa, para o abastecimento público de água, totalizam 162 L/s.

O volume de água a ser captado pela Samarco corresponde a 34 caixas d’água de mil litros por minuto. Considerando o volume de água atualmente captado pela Copasa, daria para abastecer sete cidades do tamanho de Santa Bárbara.

Leia também: Projeto de expansão da Samarco põe em risco o abastecimento de água do Rio Conceição

Outro ponto a ser destacado é a expansão da capacidade produtiva da Vale em Minas Gerais, o chamado Projeto Apolo. A mina de minério de ferro, localizada entre os municípios de Caeté e Santa Bárbara, tem a capacidade estimada de produção de até 24 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

E sabe onde está localizada a cava, local onde é retirado o minério de ferro? Exatamente na região da Serra da Gandarela, área de grande importância hídrica, a principal fonte de água para vários córregos e ribeirões das bacias dos rios Piracicaba/Doce e Velhas/São Francisco – incluindo as nascentes de afluentes do Rio Santa Bárbara.

Nascente degredada, fluxo de água interrompido. Se o Projeto Apolo for implementado em sua totalidade, corre-se o risco de ter a vazão de água do Rio Santa Bárbara seriamente comprometida.

“Nenhuma abundância de recursos resiste ao impacto de uma exploração sem retorno.” (Paulo Nogueira Neto)

Para finalizar, não poderíamos deixar de comparar a qualidade da água em Brumal com aquela encontrada na Lagoa do Peti. É lamentável a quantidade de lixo e esgoto doméstico que o Rio Santa Bárbara recebe ao longo de seu percurso. Sem falar, é claro, da péssima situação em que se encontra um de seus afluentes: o Rio São João.

A Lagoa do Peti, apesar de todas as campanhas de preservação ambiental, é uma verdadeira caixa de detritos. Lá estão depositados os esgotos domésticos das cidades de Barão de Cocais e Santa Bárbara. Em ambas, não existe Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), nem tampouco programas que incentivem a construção de fossas sépticas.

E o exemplo vem do Distrito Federal

Assim como a Samarco, que tem a água como um recurso extremamente necessário, uma vez que é ela quem transporta o minério de ferro, a cervejaria AmBev a tem como principal matéria-prima. No ano passado, para cada litro de cerveja ou de refrigerante produzido, a empresa gastou 3,9 litros de água. E, por estar preocupada com a falta que essa pode fazer, resolveu adotar uma bacia hidrográfica.

A primeira a ser beneficiada pelo projeto é a Bacia de Corumbá, no Distrito Federal, que inclui a área do Lago Paranoá. Essa iniciativa integra um programa maior, feito em parceria com a ONG holandesa WWF, e batizado de Movimento Cyan, em referência à cor azul da água. O projeto engloba programa de educação ambiental para as populações envolvidas, construção de ETEs e a diminuição gradativa da quantidade de água captada. Samarco AmBevEntretanto, existe uma grande diferença entre a AmBev e a Samarco. A primeira está localizada em um ponto com pouca disponibilidade hídrica. Por lá, não existem tantos rios e córregos quanto aqui na nossa região. Por isso, a AmBev tem motivos para se preocupar.

A Samarco, por sua vez, já possui dois minerodutos e pretende ampliar sua produção construindo o terceiro. Nos últimos anos, ajudou a esgotar o volume disponível de água no município de Mariana, sede da empresa. Agora, pretende construir uma adutora de quase um metro de diâmetro e 35 km de comprimento, para levar água do Rio Conceição, em Brumal, para Ouro Preto.

Assim realmente é muito fácil. Por que se preocupar em preservar o meio ambiente, se na falta de disponibilidade hídrica em Mariana, é só construir uma tubulação e transpor o rio mais próximo até lá? Essa e outras são algumas das vantagens de se estar instalada em uma das maiores caixas d’água brasileira. Não precisar preocupar com o futuro, uma vez que a abundância do presente dá a falsa sensação que a água nunca irá acabar.

O projeto de construção do Terceiro Mineroduto Germano-Ubu, de propriedade da empresa Samarco Mineração S.A, é bastante polêmico. Principalmente se considerarmos os fatores sociais envolvidos na questão. De forma rápida e simples, podemos dizer que uma empresa poderosa em termos financeiros, com bom relacionamento no governo federal e municipal, utiliza toda a água disponível em sua sede e agora pretende criar um canal e transportar a água de Santa Bárbara para Ouro Preto.

A população, em sua maioria, não concorda. Alegam o que é óbvio: para retirar água aqui, tem que ser empresa daqui. Tem que gerar renda e emprego. Tem que trazer desenvolvimento para o município.

Os responsáveis pelo município, por razões que a própria razão desconhece, afirmam que nada podem fazer para discutir a questão, uma vez que toda a responsabilidade do licenciamento é do Estado. O Estado, por sua vez, alega que a mineradora está cumprindo a legislação ambiental e que a população não tem com o que se preocupar. E agora, quem poderá nos defender? Infelizmente, para essa pergunta não temos resposta. Estamos totalmente nas mãos da mineradora, restando apenas a mobilização popular.

Se considerarmos, como valor simbólico, metade do valor cobrado pela Copasa nas contas de água dos cidadãos santa-barbarenses, valor em torno de R$ 0,0005, chegaríamos à conclusão que o município está doando R$ 737.242,00 por mês à empresa. E, mesmo sabendo deste valor, ainda tem gente que acha “o máximo” a Samarco Mineração S.A, como forma de convencer a população a aceitar melhor o projeto, oferecer a doação de R$ 300.000 ao Hospital Municipal.

Para um projeto de 30 anos, com investimentos em torno dos R$ 3,1 bilhões, e cujo segundo produto mais importante é a nossa água, doação de R$ 300.000 ao Hospital Municipal é literalmente “esmola”.

O Rio Santa Bárbara está morrendo aos poucos. Mineração na cabeceira dos afluentes, captação em larga escala no trecho urbano, falta de tratamento do esgoto doméstico e alto nível de poluição. O que será do futuro, se o presente está sendo tratado com tanta irresponsabilidade? Não podemos jamais esquecer que as decisões do presente irão nortear os problemas do futuro. Quem hoje doa nosso patrimônio natural, não irá conviver com os problemas gerados. O sofrimento será sentido é pelas gerações futuras. Serão eles os responsáveis por julgar as ações inconseqüentes de hoje e tentar minimizar os estragos.

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“Cientistas de todo o mundo pediram mudanças radicais na gestão global dos recursos hídricos, para que a população crescente do planeta não seja confrontada com falta de água daqui a 50 anos. - Ciência Hoje

Passeio Rio

“A grande solução é encontrar formas de cultivar mais alimentos com menos água. Basicamente, mais colheitas por gota”, postulou Molden [responsável do estudo no IWMI], em declarações à agência Reuters.[...] - Público.PT

E fica o recado:

É importante preservar a água e o meio ambiente não só nesta semana, mas todos os dias. Além de uma prática sustentável, é uma ação obrigatória para própria continuidade da existência da espécie humana. Pense nisso! Mude agora mesmo seu ritmo de vida!

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